2025 · Vídeo · Autoral
Conjurados
Fábula audiovisual sobre perda, responsabilidade histórica e ritos de renascimento, feita a partir do acervo e da arquitetura do Museu da Inconfidência.
“Conjurados” propõe uma fábula audiovisual sobre perda, responsabilidade histórica e possíveis ritos de renascimento. O vídeo se inicia com vistas reconhecíveis do Museu da Inconfidência, sua fachada, a cidade de Ouro Preto, com as esculturas do dito Aleijadinho do Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas, e gradualmente transforma esse espaço em cena de uma “abertura”: uma caixa de Pandora simbólica, que parte do célebre quadro da sentença de Tiradentes e culmina na queda da fachada, em anjos de madeira que se acariciam, pinturas e objetos que ganham movimento.
A partir desse ponto, lembranças dolorosas emergem: a cruz de Tiradentes, a pedra da forca, vestígios do passado escravocrata e episódios de violência. Um a um, esses símbolos se desfazem, racham, caem, se pulverizam, como se a própria matéria da história se recusasse a permanecer intacta. Mas do colapso nasce um novo gesto: a fachada se ergue novamente, agora movida pelo amor dos anjos e pela alegria dos espíritos que retornam. É a natureza quem assume a cena: fungos, trepadeiras e plantas avançam, cobrem, colonizam. A cidade inteira se converte em um organismo vegetal; borboletas surgem como sinais de metamorfose e frágil redenção.
O projeto nasceu em diálogo direto com as tensões contemporâneas que cercam o Museu da Inconfidência, um acervo que convive com a glória formal da história e com as marcas incômodas da escravidão e da violência política. Ao permitir intervenções contemporâneas, o museu abriu espaço para reescritas e confrontos. “Conjurados” se apropria dessa fricção para propor uma experiência que não apaga o passado; antes, o dramatiza e expõe suas contradições, convocando o público a refletir sobre autoria, memória e justiça histórica.
Realizado no âmbito do programa Museu em Suspensão, com apoio do CNPq.