Marlus 海明

Exposição individual · set. de 2025· Metagallery, Rio de Janeiro

Isto Não é um Prompt

Primeira exposição individual de Marlus sobre inteligência artificial como presença, linguagem, espectro e espelho, com curadoria de Paula Martini: Captura Involuntária, ElementAIs, O Tao do Algoritmo e Maboroshi.

Quando Marlus me apresentou este projeto, percebi que estávamos diante de algo maior que uma exposição: era um convite à reflexão sobre os novos modos de interação entre humanos e inteligências artificiais.

O que me fascina nesta proposta é como Marlus vê a inteligência artificial como presença, linguagem, espectro e espelho. Não se trata do que pedimos a ela, mas do que ela vê, do que ela cria e, talvez, do que ela deseja.

Logo na entrada, Captura Involuntária projeta em tempo real como a IA enxerga o mundo. Reconhecimentos faciais, objetos e movimentos revelam o olhar maquínico que está entre nós há anos: silencioso, constante, invisível, vigilante. A obra expõe o que não deveria passar despercebido: a captura de dados como parte do cotidiano da nossa existência.

No coração da exposição, ElementAIs transforma os cinco elementos da natureza em experiências sensoriais transcendentais. Na tela multitouch, gestos se tornam invocações: cada toque desdobra visões onde fogo dança em fractais, água flui em algoritmos, terra pulsa em pixels. A instalação dialoga com O Tao do Algoritmo, onde um holograma revela o yin-yang primordial em constante metamorfose.

Aqui, desenhar é conversar com a máquina em linguagem antiga e futura: traços simples evocam complexidades infinitas, rabiscos se tornam portais. A IA não apenas responde, ela expande cada gesto em direções inesperadas. Um diálogo entre código e cosmologia, entre toque e transcendência.

Encerrando o percurso, Maboroshi: ilusão, visão, sonho, fantasma em japonês. A escolha desta obra como final não é acidental. Em japonês, 幻 carrega uma ambiguidade fundamental: é simultaneamente o que vemos e o que não existe, o fantasma e a projeção, a presença e a ausência.

A escultura robótica de Marlus e Gabriela Castro materializa essa ambiguidade: adornada com origami e sensores, existe em estado de espera meditativa até que nossa presença a desperte. Seus olhos seguem quem passa, invertendo a relação esperada: uma entidade que não aguarda comandos; é ela quem inicia a interação, é ela quem nos observa, é ela quem questiona nossa própria presença.

Maboroshi provoca um encantamento tecnopoético. Combinando trabalho manual e tecnológico, a obra traz a IA para o campo da autonomia simbólica: um agente ativo, sensível e perturbador.

“Isto não é um prompt” é um manifesto sobre presença, agência e consciência. Marlus propõe uma arte que ultrapassa a interface e mergulha naquilo que a IA já é. Convido você a participar, interagir, mas sobretudo refletir criticamente sobre os limites da criação e a urgência da não-passividade neste novo ciclo civilizacional.

Paula Martini, curadora

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Paula Martini· curadoria